Território como Abrigo e como Recurso:
O caso dos "Territórios quilombolas" do Vale do Ribeira (SP)
Para compreendermos essa problemática, objetivamos analisar o papel desempenhado pelos compartimentos territoriais (um território quilombola, a exemplo dos territórios indígenas, é um compartimento do espaço habitado) na defesa de interesses que, explicitamente, não são só sociais, mas sócio-territoriais, porque se dão em lugares específicos do território, sem que os envolvidos estejam dispostos a abandonar suas heranças territoriais.
Para a consecução de nosso objetivo pretendemos mobilizar o seguinte recorte analítico: o território como abrigo e o território como recurso. Estes conceitos foram cunhados por Jean Gottmann e atualizado por Milton Santos (1994). O território como abrigo é aquele que serve de abrigo àqueles que nele vivem e, portanto, implica em reconhecer os nexos entre espaço herdado e espaço atualizado, herdado e atualizado por práticas autônomas de resistência.
A matriz do território como recurso orienta compartimentações hierárquicas, obedientes a ordens que fogem ao controle dos lugares, por isso são produtoras de desordem onde se instalam. Nesta matriz reconhecemos as compartimentações dominantes do espaço.
http://ccspc-010.ccs.unicamp.br/PIBIC2009/FSCOMMAND/pdfN/96.pdf
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