Tentando compreender as dinâmicas
espaciais presentes nas Eleições 2012 (no segundo turno) para
prefeito na cidade de Campinas, decidimos acompanhar o processo
eleitoral
(http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/apuracao/campinas.html), na
fase de apuração – reconhecendo a dinâmica do processo eleitoral
e do sistema de captação dos votos (com as urnas eletrônicas).
Pelo fato das urnas serem instaladas
nas secções ou colégios eleitorais, dispersas pela cidade, elas
representam uma expressão territorial da vontade do eleitorado. Isso
nos possibilita uma compreensão da expressão do voto em cada lugar,
a intenção política de cada lugar, a relação entre os lugares e
as hierarquias de poder na sociedade campineira.
Na apuração, os dados de cada secção
são inseridos (no sistema computacional que soma os votos) em ordem
pré estabelecidas pela justiça eleitoral. Como as urnas recolhem
votos de diferentes lugares elas representam a ordem espacial lógica
da apuração. No Gráfico I, podemos notar a evolução dos
percentuais de votos, de cada candidato, no processo de apuração,
da 1ª parcial à 22ª.
Gráfico
I – Evolução dos votos por divulgação parcial
No gráfico, verificamos que os
candidatos apresentaram uma regularidade por toda a cidade. Ao que se
apresenta, somente entre a 1ª e a 2ª parcial apresentam uma
relativa divergência, não suficiente para alterar o resultado. O
que temos de fato é que em toda as parciais temos a vitória
homogênea de Jonas Donizete. Isso demonstra a falta de confiança no
processo eleitoral, uma indignação da população local com seus
políticos, mas sobretudo, representa um enfrentamento à democracia
institucional (materializada na obrigação do voto) e à política
cíclica, eleitoreira e partidária.
No resultado como um todo, o que chama
mais atenção não a vitória do candidato do PSB, mas a imensa
quantidade de abstenções da votação. Ao todo a justiça eleitoral
esperava 785.274 votos válidos, destes 21,18 % (116.284) não
compareceram aos locais de votação ou se abstiveram do voto. Na
totalidade dos votos, expressa no Gráfico II, o candidato do PSB
teve 40,18% dos votos, o do PT 29,47% e 21,18% de abstenções.
Gráfico II –
Universo dos votos
Para os votos válidos, Jonas Donizete
(PDT) teve em todo o processo de apuração uma leve flutuação
entre 62 % e 57,69 % (última parcial), tendo no final 315.488
votos. Já Márcio Pochmann (PT) teve uma amplitude entre 34% e o
42,31 (última parcial), com 321.420 votos válidos, no final.

