quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Evolução e Expressão territorial dos votos: Évolution territoriale et de l'expression des voix au second tour des élections de 2012 à Campinas

Tentando compreender as dinâmicas espaciais presentes nas Eleições 2012 (no segundo turno) para prefeito na cidade de Campinas, decidimos acompanhar o processo eleitoral (http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/apuracao/campinas.html), na fase de apuração – reconhecendo a dinâmica do processo eleitoral e do sistema de captação dos votos (com as urnas eletrônicas).
Pelo fato das urnas serem instaladas nas secções ou colégios eleitorais, dispersas pela cidade, elas representam uma expressão territorial da vontade do eleitorado. Isso nos possibilita uma compreensão da expressão do voto em cada lugar, a intenção política de cada lugar, a relação entre os lugares e as hierarquias de poder na sociedade campineira.
Na apuração, os dados de cada secção são inseridos (no sistema computacional que soma os votos) em ordem pré estabelecidas pela justiça eleitoral. Como as urnas recolhem votos de diferentes lugares elas representam a ordem espacial lógica da apuração. No Gráfico I, podemos notar a evolução dos percentuais de votos, de cada candidato, no processo de apuração, da 1ª parcial à 22ª.

Gráfico I – Evolução dos votos por divulgação parcial
No gráfico, verificamos que os candidatos apresentaram uma regularidade por toda a cidade. Ao que se apresenta, somente entre a 1ª e a 2ª parcial apresentam uma relativa divergência, não suficiente para alterar o resultado. O que temos de fato é que em toda as parciais temos a vitória homogênea de Jonas Donizete. Isso demonstra a falta de confiança no processo eleitoral, uma indignação da população local com seus políticos, mas sobretudo, representa um enfrentamento à democracia institucional (materializada na obrigação do voto) e à política cíclica, eleitoreira e partidária.
No resultado como um todo, o que chama mais atenção não a vitória do candidato do PSB, mas a imensa quantidade de abstenções da votação. Ao todo a justiça eleitoral esperava 785.274 votos válidos, destes 21,18 % (116.284) não compareceram aos locais de votação ou se abstiveram do voto. Na totalidade dos votos, expressa no Gráfico II, o candidato do PSB teve 40,18% dos votos, o do PT 29,47% e 21,18% de abstenções.

Gráfico II – Universo dos votos

Para os votos válidos, Jonas Donizete (PDT) teve em todo o processo de apuração uma leve flutuação entre 62 % e 57,69 % (última parcial), tendo no final 315.488 votos. Já Márcio Pochmann (PT) teve uma amplitude entre 34% e o 42,31 (última parcial), com 321.420 votos válidos, no final.

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